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MTE inclui 169 empregadores em “Lista Suja” do trabalho escravo

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MTE inclui 169 empregadores em “Lista Suja” do trabalho escravo

Ao todo, 169 empregadores no Brasil foram incluídos na nova atualização da chamada “Lista Suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Agora, o documento passa a ter 613 empresas e pessoas físicas que submeteram trabalhadores e trabalhadoras a condições degradantes.



Entre as atividades econômicas contidas na Lista Suja, a maior parte é ligada à agropecuária – o corte bovino –, seguida de serviços domésticos, cultivo de café e construção civil. 



A Organização Internacional do Trabalho (OIT) atribui à pobreza o principal fator para a existência do trabalho semelhante à escravidão no Brasil.  



A assessora de projetos do Programa de Direitos Socioambientais da organização de direitos humanos Conectas, Fernanda Drummond, defende o fortalecimento dos agentes fiscalizadores, o aumento de investimentos e uma maior responsabilização dos infratores. Para ela, as regras atuais passam a ideia de impunidade, que, muitas vezes, pode sustentar a lógica escravocrata.  




“A gente não pode deixar de mencionar que o Brasil não possui leis que exijam que essas empresas divulguem publicamente as informações de toda a sua cadeia produtiva. Isso dificulta muito o controle e a responsabilização de todos aqueles que estão envolvidos com a prática do trabalho escravo. E isso oferece pouco incentivo para que essas empresas cumpram com as leis trabalhistas, porque acaba compensando financeiramente continuar com o trabalho escravo. E aqui a gente não está falando de garantir direitos muito avançados para o trabalhador. A gente está falando de garantir condições mínimas de dignidade”.




BYD



A Lista Suja contém casos que ocorreram entre 2020 e 2026. Uma das empregadoras incluídas nesta atualização é a BYD, fabricante chinesa de carros elétricos, que terceirizou os serviços na unidade de Camaçari, região metropolitana de Salvador, na Bahia. Em junho do ano passado, o Ministério do Trabalho autuou a companhia por submeter trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão. As investigações apontaram que mais de 400 trabalhadores foram trazidos de forma irregular ao Brasil para atuar nas obras da fábrica. Desses, 163 foram resgatados em condições semelhantes à escravidão. Procurada pela nossa reportagem, a BYD informou que não vai se manifestar sobre o caso.



Amado Batista



O cantor Amado Batista também passou a integrar a lista. O documento cita que 14 trabalhadores foram submetidos a condições degradantes no sítio dele, na zona rural de Goianápolis, Goiás. Em nota, a assessoria do artista nega as acusações e diz que foram identificadas irregularidades na contratação de quatro colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada. Também informou que a ocorrência gerou acordo com o Ministério Público e que estão sendo tomadas “todas as providências administrativas para o encerramento” das autuações.  



Os nomes incluídos na lista passam por processos administrativos, com direito à ampla defesa. Após a inclusão, permanecem no cadastro por dois anos. A exclusão pode ocorrer antes do prazo, caso haja acordo de regularização com o Ministério do Trabalho.



*Com reportagem de Sayonara Moreno


3:40




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